Papo sério: vamos falar do financeiro?
Acompanhando os torcedores e simpatizantes de clubes europeus aqui no Brasil, é fácil perceber que a grande maioria tem uma impressão errada do negócio. Em primeiro lugar, parece que na Europa o dinheiro cai do céu, e que não importa o preço do jogador, Barça, Real Madrid e outros grandes clubes poderão pagar sem se preocupar. Se você pensa assim, está errado.
As últimas três temporadas foram extremamente pesadas para o Barcelona no âmbito financeiro. Subestimar o poder de fogo do presidente e dono do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaïfi, causou uma inflação sem limites no mercado de transferência, uma alta avaliada em 85%. Se levarmos em conta que o faturamento anual culé cresce em média 8% em um período de 12 meses, veremos que a conta não fecha. Da temporada 2016/2017 pra cá, o FC Barcelona investiu 581,6 milhões de euros em contratações, sendo que arrecadou "apenas" 390,05 milhões com venda de atletas; um défice de 190,6 milhões de euros. O clube planejou, nesses três anos, investir em média 58 milhões de euros na incorporação de novos atletas, o que somados os três anos chegamos à quantia de 174 milhões, reduzindo o rombo para 17,6 milhões de euros. Isso que nem coloquei na conta a recente compra do holandês Frankye De Jong, que será contabilizada no próximo balanço.
O que eu estou propondo aqui é uma reflexão, pois o Barça é um clube de futebol à moda antiga: tem presidente e diretoria eleitos por meio de votação dos sócios, conselheiros e tudo mais. Então, o investimento que entra na instituição é feito por meio de patrocínio, e o clube precisa muito fazer o marketing funcionar para garantir uma gorda receita extra. Só em salários de funcionários, atletas e colaboradores, o Barça tem um custo anual de 483 milhões de euros, 74,6% do faturamento total, que foi de 690,8 milhões em 2018 - sem contar a venda de atletas. Segundo economistas, o indicado é que instituições do porte do FC Barcelona tenha no máximo 65% do seu faturamento comprometido com salários, quesito que os catalães já não são capazes de ajustar. O custo operacional também preocupa, pois aumenta cerca de 7,5% ao ano, um número preocupante. Em 2017/2018 Bartomeu e companhia gastaram mais 100 milhões de euros com os custos de funcionamento do clube, 17% da arrecadação total. Para termos uma ideia do quão difícil está sendo manter a casa em ordem, basta lembrar que no fim de 2018 a diretoria apelou para empréstimos nos Estados Unidos que chegaram a 150 milhões de euros. Segundo a direção, o dinheiro será utilizado para a incorporação de novos jogadores e para quitação de dividas bancárias mais antigas e com juros superiores.
Não dá pra pensar que o Barcelona está "cagando" dinheiro, pois é exatamente o contrário. O cube precisa de respiro, e as contratações para a próxima temporada terão que ser pontuais e extremamente bem analisadas. Se comprar um atleta, precisa vender outro e assim sucessivamente. Plantel inchado? Só se for com meninos da base. Lendo uma publicação ontem em uma das fan pages de notícias envolvendo o Barça, vi um que me chamou a atenção por tamanha ignorância e estupidez. Segundo o post, a diretoria estudava a contratação de 5 jogadores, que somados chegariam a quase 400 milhões de euros; uma sandice! Não existe a menor hipótese de o Barcelona contratar cinco jogadores de alto nível custando em média 80 milhões cada. Entendam, o Barça não tem essa quantia disponível.
Você pode viver bem com 1.500 reais por mês, se souber que não pode gastar R$1.501,00. Um gigante do futebol mundial viverá bem faturando 700 milhões por ano, enquanto souber que não pode gastar 701.
Torça por consciência e responsabilidade com o dinheiro do Barcelona, pois há pouco mais de 15 anos estivemos à beira da falência por coisas assim. Fica a dica.



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